XXXI Convenção UPADI 2008 Brasília . Brasil 29 de novembro a 2 de dezembro
XXXI Convención UPADI 2008 Brasilia . Brasil Del 29 de noviembre hasta el 02 de diciembre
XXXI UPADI Convention 2008 Brasilia . Brazil November 29th to December 2nd
Mensagem do Presidente do Conselho Técnico da UPADI
No ano de 2008, à semelhança do que ocorreu em 2007, o continente latino-americano tem boas perspectivas de crescimento na maioria dos seus países. Apesar dos problemas financeiros nos Estados Unidos (causados pela crise das hipotecas subprime), o desempenho macroeconômico na América Latina e no Caribe foi muito positivo em 2007, completando quatro anos consecutivos de crescimento. A inflação manteve-se em níveis moderados em quase todos os países e os saldos fiscal e externo permaneceram positivos na região como um todo. Com esse panorama de crescimento com estabilidade, o desemprego e a pobreza continuaram a cair.
O primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milênio para 2015 - reduzir a pobreza extrema à metade de seus níveis em 1990 - está ao alcance da maioria dos países.
Contudo, o ano de 2007 assistiu também a um recuo em diversas variáveis macroeconômicas importantes, como a situação fiscal e o aumento dos gastos públicos em taxa superior ao aumento das receitas. Avanços conjugados com recuos demonstram que ainda há muito por se fazer na América Latina, principalmente na expansão da Infra-estrutura (como é o caso também do Brasil), o que ajudará a integrar fisicamente os diversos países do bloco, viabilizando a continuidade do desenvolvimento econômico.
É neste instante que as sociedades dos diversos países latino-americanos se conscientizam da importância da Engenharia Panamericana. Prova disso é a IIRSA (Iniciativa para a Intregração Regional Sul Americana), programa de governo já em andamento, visando maior integração das economias da região, com o apoio do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). A IIRSA é uma iniciativa de 12 governos de países sul-americanos, em um esforço multilateral para canalizar investimentos em intra-estrutura e caminhar na direção da integração física continental.
Desde seu início, a IIRSA desenvolveu uma carteira de mais de 348 projetos de infra-estrutura nas áreas de transporte, energia e comunicações, com uma previsão de investimento de mais de US$ 38 bilhões.
Os projetos são desenvolvidos no contexto de 10 eixos principais de integração e desenvolvimento, englobando grandes extensões de espaços geográficos com afinidades físicas, demográficas e culturais, oferecendo oportunidades para um enfoque coordenado, dentre países diversos, no planejamento e execução de obras de infra-estrutura.
A maioria destes projetos está sendo desenvolvida desde 2005, dentro de uma agenda de consenso entre as nações integrantes da IIRSA. A Engenharia Panamericana está ajudando os governos destes países a definir prioridades para a infra-estrutura de integração física do continente.
Mais da metade dos investimentos previstos correspondem a rodovias e cerca de metade dos projetos envolvem investimentos em dois ou mais países. Isso cria um efeito de “ponte” entre nações vizinhas, integrando físicamente fronteiras nacionais, e aumentando o retorno dos investimentos pelo maior crescimento econômico obtido, em comparação com investimentos em um único país.
Estes investimentos propiciam desenvolvimento econômico e social entre fronteiras, maior competitividade das economias envolvidas, modernização do Estado, sustentabilidade ambiental e proteção de populações indígenas - já que estes são os critérios exigidos pelo BID para aprovação dos projetos.
Como exemplos destes investimentos, temos as Rodovias Inter Oceânicas Norte e Sul, já em construção no Peru.
A primeira é um exemplo de transporte multi-modal envolvendo vias terrestres e transporte fluvial, por meio da qual containers descarregados no Oceano Pacífico vão por via terrestre até o Porto de Yurimaguas, no Peru, e daí atingem por via fluvial o Porto de Manaus, no Brasil, e a seguir o Oceano Atlântico, de forma mais rápida e barata do que a travessia convencional pelo Canal do Panamá, que se encontra saturado por excesso de tráfego.
Com esse cenário, as perspectivas da Engenharia no continente sul-americano para 2008 são positivas, apesar da instabilidade que talvez continue a afetar os mercados financeiros internacionais.
Projeções consensuais indicam um crescimento de 4% a 4,5% para o conjunto da região. Tal taxa será inferior à de 2007 devido ao menor crescimento econômico nos Estados Unidos, à possível queda dos preços das exportações sul-americanas de produtos primários e ao surgimento de restrições à oferta em alguns setores e países. Também há consenso entre os analistas que a inflação aumentará em vários países e que diminuirão os atuais superávits em conta-corrente com o resto do mundo.
Afora as flutuações na situação financeira internacional, o maior desafio para as economias da América do Sul, a médio prazo, será manter altas taxas de crescimento econômico. É imperativo conquistar maior competitividade econômica. E para isso, é essencial maior investimento em Infra-estrutura.
Embora certos países ofereçam condições atraentes para o desenvolvimento de atividades produtivas e para investimento privado, a região como um todo tem avançado pouco em termos de competitividade, a julgar por indicadores internacionais comparativos.
O evento da UPADI será seguido imediatamente pelo da WEC 2008 (World Engenieering Convention), transformando Brasília - capital da maior economia sul-americana - num fórum mundial e privilegiado para os debates sobre os desafios atuais da Engenharia e o papel dos Engenheiros como agentes fundamentais no desenvolvimento dos países e bem-estar dos seus cidadãos.
Contamos com sua participação.

Eng. Roberto Kochen
Presidente do Conselho Técnico da UPADI